segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Descrescer

Pelos abertos do ônibus, o menino viu o tempo se fechar, ficando nublado, escurecendo ao meio-dia:
- Tá chuveno sem água! 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Presentes

Meu pai chegou do mar e me trouxe um protetor de ouvidos que barra 90% dos sons e um vídeo com ele e golfinhos acompanhando o barco em que ele estava, em alto-mar:
- Era tudo que eu queria, pai!
Minha mãe chegou da casa da amiga que vende produtos eróticos e me deu três camisinhas sabor chocolate e um "lubrificante interno" sabor morango:
- Era tudo que eu queria, mãe!
Minha irmã me ligou pra dizer que as mudinhas de cacto pegaram e que me trará uma na próxima vez que vier aqui:
- Era tudo que eu queria, irmã!

Esses três sabem como me agradar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

...

Sal, limão e álcool
Açúcar, limão e álcool
Limoeiro
Eu queria estar bêbada sem estar
O uísque arde só no começo
No final é doce
No final é doce...

Lúcia, irmã do Luciano



Sinal fechado, avenida José Bastos, eu comia uma empada de camarão:
- A gente tem que comer é no meio da rua, né? - Ela comia um pedaço de bolo.
- É o jeito!
- Eles dizem que é pra gente comer devagar, sentadinho, mas como? Não vou morrer de fome! - O sinal fecha e a gente passa o primeiro lado da avenida. Ia passar direto pelo segundo lado, um carro vinha, ela segura minha mão. E não solta.
- Pronto, agora dá pra passar. - Ainda segurando minha mão. No meio da faixa, flutuante momento de se atravessar ruas, larga minha mão, pega no meu cabelo:
- Acho lindo seu cabelo, era doida que o meu fosse assim, cheio de cachinhos - Eu meio sem saber o que falar, sou fraca pra elogios.
- Você não é daqui não, né? - ela continua.
- Não, sou de Limoeiro.
- Ah, eu sabia, essa gente daqui vive com a cara emburrada, com medo de tudo. Mas toda vida que eu venho aqui acho gente simpática como você! Sou de Russas, vizinho a ti! Se um dia você for lá e ouvir falar do Luciano cabeleireiro, lembra: "Luciano, Luci... Lúcia! É o irmão da Lúcia!". Ah, é, meu nome é Lúcia!
- Prazer, Lúcia!
- E qual é o seu nome?
- Jayane.
- Você estuda aqui?
- Aham, e tu, faz o que por aqui, mulher?
- Eu tinha consulta aí no Hospital das Clínicas. Toda vida que eu venho aqui, faço amizade com todo mundo! Eu tenho lúpus. Mas não pega não, viu?
- Eu sei. Lúpus Eritematoso...
- Sistêmico!
- Hum... auto-imune, né?
- Exatamente, só é ruim pra quem tem, não tem risco nenhum pros outros. Você mora onde?
- Ali perto do centro...
- E pega qual ônibus?
- Ah, qualquer topic dá pra mim.
- Hum... Eu fico na casa da minha irmã quando eu venho aqui, lá na Aerolândia. É só um ônibus que eu pego, mas é uma eternidade... Ei, continue sempre assim, simpática, que se as pessoas fossem assim, as coisas seriam bem melhores.
- É... Verdade, Lúcia.
- Olha aí, lá vem a topic! - Ela nota primeiro que eu.
- Valha, é mesmo. - Aí eu abraço a Lúcia e a gente se abraça.
- Tchau, boa sorte!
- Ah, sorte eu já tenho! - Minha velha amiga, a Lúcia, de Russas, irmã do Luciano.

domingo, 20 de novembro de 2011

Alone is okay



If you are at first lonely, be patient. If you've not been alone much, or if when you were, you weren't okay with it, then just wait. You'll find it's fine to be alone once you're embracing it.

We could start with the acceptable places, the bathroom, the coffee shop, the library. Where you can stall and read the paper, where you can get your caffeine fix and sit and stay there. Where you can browse the stacks and smell the books. You're not supposed to talk much anyway so it's safe there.

There's also the gym. If you're shy you could hang out with yourself in mirrors, you could put headphones in.

And there's public transportation, because we all gotta go places.


And there's prayer and meditation. No one will think less if you're hanging with your breath seeking peace and salvation.

Start simple. Things you may have previously avoided based on your avoid being alone principles.

The lunch counter. Where you will be surrounded by chow-downers. Employees who only have an hour and their spouses work across town and so they -- like you -- will be alone.

Resist the urge to hang out with your cell phone.

When you are comfortable with eat lunch and run, take yourself out for dinner. A restaurant with linen and silverware. You're no less intriguing a person when you're eating solo dessert to cleaning the whipped cream from the dish with your finger. In fact some people at full tables will wish they were where you were.

Go to the movies. Where it is dark and soothing. Alone in your seat amidst a fleeting community.
And then, take yourself out dancing to a club where no one knows you. Stand on the outside of ethe floor till the lights convince you more and more and the music shows you. Dance like no one's watching...because, they're probably not. And, if they are, assume it is with best of human intentions. The way bodies move genuinely to beats is, after all, gorgeous and affecting. Dance until you're sweating, and beads of perspiration remind you of life's best things, down your back like a brook of blessings.

Go to the woods alone, and the trees and squirrels will watch for you.
Go to an unfamiliar city, roam the streets, there're always statues to talk to and benches made for sitting give strangers a shared existence if only for a minute and these moments can be so uplifting and the conversations you get in by sitting alone on benches might've never happened had you not been there by yourself

Society is afraid of alonedom, like lonely hearts are wasting away in basements, like people must have problems if, after a while, nobody is dating them. but lonely is a freedom that breaths easy and weightless and lonely is healing if you make it.

You could stand, swathed by groups and mobs or hold hands with your partner, look both further and farther for the endless quest for company. But no one's in your head and by the time you translate your thoughts, some essence of them may be lost or perhaps it is just kept.

Perhaps in the interest of loving oneself, perhaps all those sappy slogans from preschool over to high school's groaning were tokens for holding the lonely at bay. Cuz if you're happy in your head than solitude is blessed and alone is okay.

It's okay if no one believes like you. All experience is unique, no one has the same synapses, can't think like you, for this be releived, keeps things interesting lifes magic things in reach.

And it doesn't mean you're not connected, that communitie's not present, just take the perspective you get from being one person in one head and feel the effects of it. take silence and respect it. if you have an art that needs a practice, stop neglecting it. if your family doesn't get you, or religious sect is not meant for you, don't obsess about it.

You could be in an instant surrounded if you needed it
If your heart is bleeding make the best of it
There is heat in freezing, be a testament.

(By Tanya Davis)

Eu tenho essa impressão de que antes de aprender sobre meningite ou sobre o financiamento da educação, eu tenho que aprender a ficar sozinha. Mas é só uma impressão. E não é difícil não, porque eu gosto. (E quero um suporte pra violão igual ao dela, a menina do vídeo). 
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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Deixe ser II

Se eu tiver uma filha e, num eventual aniversário, vierem com aqueles milhões de bonequinhas e conjuntinhos de panelas pra ela... Eu juro: que me controlarei pra não bater em ninguém. O mesmo para roupinhas cor-de-rosa e da Barbie. Não dá pra aceitar que condenem minha filha a ser uma dona de casa, magrela e loira que fica em casa cuidando das crianças enquanto o marido (claro, porque minha filhinha tem que ser heterossexual, né?) sai pro trabalho de carro. Se ela quiser ser isso, eu só vou poder pegar minha tristeza, enfiar num canto qualquer e aceitar. O que me deixa puta é que isso seja a norma. Aliás, estou baixando uma regra para aniversário dos meus filhos: é proibido levar presente. Isso mesmo, não corro o risco de ser presa por agressão física (quem sabe daqui pra lá aprendo a controlar minha raiva com gente escrota, com ideias escrotas? - pode ser, o problema é que eu não quero!) e ainda ensino que o importante é o convívio com seres humanos, o compartilhar de sabores e saberes, recepção dos abraços, em vez de recepção de presentes. O aniversário de um filho como a comemoração de mais um ano com ele ao meu lado, ao nosso lado: caramba! como eu não tinha pensado nisso antes? É tão óbvio! Que sentido tem esses aniversários cheios de presentes e músicas idiotizantes? E com meninas vestidas como princesinhas, atrás de bolos com princesas da Disney e todas aquelas poses que mandam a criança fazer para tirar fotos que serão colocadas em pôsteres na paredes de quartos rosas cheios de bonecas... ECA!

Não estou assim à toa! Não é paranóia ou mimimi. Semana passada foi o aniversário da minha prima de 9 anos. 9 anos e já uma consumidora voraz de bens totalmente supérfluos de nossa cultura massificada, massificadora e superficial. Ela estava toda de rosa e afirmava que só gostava de rosa e quando eu perguntava por quê, dizia: "porque é de menina". Rodeada por suas bonecas e carrinhos de bebê - o único carro que ela pode dirigir (aliás, por que dirigir qualquer carro?) - ela posava com sorrisos forçados para fotógrafos e a mãe - orgulhosíssima da sua filhinha (que nem ler direito sabe ainda, pois ninguém tem tempo pra ajudá-la com os deveres da escola) - corria de um lado pro outro para receber convidados e distribuir comida enquanto o maridão ficava na varanda tomando umas "geladas" com os amigos. Acrescente-se que eu nunca vi esse casal trocar um beijo sequer, um carinho sequer, uma demonstração de amor. Eu olhava para essa cena, meio triste, meio puta da vida, e me perguntava como isso podia ser tão natural ali, naquela hora, naquele instante. As pessoas estavam lá, mulheres com "roupa de mulher", homens com "roupa de homem", meninos com "roupas de menino" e meninas com "roupas de menina", cada qual vestindo sua roupa e cumprindo seu papel, conversando seus assuntos, sempre os mesmos, sempre os mesmos. E pronto! É assim que as coisas são. Tinha vontade de sair gritando, de... não, tinha desânimo mesmo, sabe?

E quanto aos brinquedos tipicamente para meninos, não esqueci não. Quando eu era criança, me lembro muito bem de morrer de inveja dos brinquedos que eles ganhavam. Tenho até fotos, eu lá, morta de feliz brincando com os carrinhos de controle remoto no aniversário do meu primo - depois de muito disputar com vários meninos que, já naquele idade, se achavam com mais direito e liderança sobre carrinhos. Os brinquedos deles se movimentam, piscam, fazem barulho e obrigam você a se movimentar também. Tudo que eu queria na minha infância um barco pirata, um nave espacial, pecinhas de lego. Claro que MEU PAI tinha a sensibilidade de perceber o que eu gostava e de me dar trenzinhos, rádios, carrinhos, piões, quebra-cabeças e coisas pra ler e pintar - coisas que, de tão usadas, foram se deteriorando com o tempo, diferente das bonecas, que passaram intactas pela minha infância.

Era uma preferência minha. E aí vem aquela eterna criança incompreendida que todo mundo carrega... Que não sei se faz bem ou faz mal, só sei que ela existe. Será que eu teria sido mais ou menos feliz com esse ou aquele outro? E pra que ser feliz, se às vezes uma dorzinha é uma forma gostosa de felicidade? Aliás, o que é ser feliz? E será que existe, esse "ser feliz"?  E porque é mesmo que não abraçamos de vez nossa efemeridade? Por que não afirmamos nossas potências criativas? Por que não as desconstrutivas também? Por que é que em vez de interditar e de classificar tudo segundo normas cristalizadas em instituições, nós não regamos o mundo, os outros e o coração com as coisinhas mais diminutas e des(importantes) de viver para que tudo brote?

Será que eu vou ter um filho que só gosta de se vestir de rosa e brincar de boneca? Ou minha filha que só consegue se divertir com aviõezinhos de papel? Uma preferência por este ou aquele brinquedo não significa uma preferência sexual, uma preferência afetiva (aliás, por que esse nome "preferência sexual", como se isso fosse uma escolha e algo que se faz para todo o sempre?). Significa tão somente uma preferência por este ou aquele brinquedo. O que acontece é que os brinquedos são vistos com olhos sujos dos significados e significâncias que damos a tudo - damos? quem deu esse significado?

Desvirginamos o olhar da criança com uma vontade - agora sim - quase sexual. A gente quer encaixotar o serzinho, assim que ele nasce, em vez de tentar protegê-lo o máximo possível desse processo inevitável de ser podado pelas coisas preexistentes. Liberdade, acho que protege e acho que não existe. Não existe, pra mim, essa liberdade absoluta, claro que não, mas será que não dá pra deixar as pessoas um pouquinho mais em paz? E não dá pra gente, só de birra, fazer o que a gente quer? Será que não dá pra deixar ser?

(Por Herley Lins e Jayane Ribeiro)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Um Amor Possível

Primeira música tocada e cantada no violão: "meu mundo ficaria completo(com você)".
Depois que eu consegui, finalmente, sincronizar canto com acordes, fiquei me perguntando o porquê de eu ter passado o feriado inteiro nisso. Aí eu olhei pra mim: tinha colocado o espelho bem na minha frente, pra ficar me vendo tocar: com você, meu mundo ficaria completo...

Eu passei o feriado fazendo serenata pra mim mesma...
(Mas, vá lá, talvez eu faça pra outra pessoa, um dia.)

Próxima música, então!

Fé no Mengão

"Deus me perdoe, mas eu vou nessas igrejas de crentes e não sinto nada. Tenho é raiva! Uma vez, tava numa, a que sua tia frequenta, e disseram que quem não dava o dízimo não tava abençoado. Má! Eu saí na mesma hora... De besta eu só tenho a cara. Minha filha, coloque aí na Band, tá passando o brasileirão..."

"Eu não sei o que esse povo vê de bom em cerveja... Amarga véa! Bom mesmo é cachaça! Rum é bom demais também. Vixe, eu bebia até... (risos)"

(Égua, vó! E eu puxei foi todinha a tu, foi?)

Bibiu

"Minha professora do primário era a dona Amerinda. Dia desses fui lá na casa dela. Pois num é que ela chorou que só, abraçada comigo!? Ela disse que lembrava, quando eu era pequena, dizia pra ela:
-Eu quero estudar, que eu vou crescer na vida é por estudo! Vou ser advogada!
-Mas Bibiu, tu vai defender quem, que esse povo daqui num tem dinheiro pra nada?
Pois foi... O que eu mais tinha vontade nessa vida era fazer um curso numa faculdade... Mas como, que eu só tinha a quinta série, fiz o supletivo do primeiro grau depois de velha? E o pessoal ainda ficava falando de mim, nas estradas:
-Mas essa Bibiu gosta de se mostrar. Pra que, velha desse jeito, ainda ir atrás de estudar?
Mas era tão bom, ir pra escola... Seu tio Chico ia me deixar, às vezes, outras era seu avô. Seu avô indo me deixar na escola... (ri). Se tivesse ali perto, ainda ia fazer o segundo grau. Ora, se eu me importa com ninguém falando! Você tem algum jornal aí pra eu ler?"

Aí eu dei o "Opinião Socialista" pra ela ler. Não, eu não sou do PSTU. (Mas talvez minha avó venha a ser).

Tapioca

Hoje acordei 6 e meia da manhã, já pensando em sair pra comprar pão, fazer café, suco, enfim.

Chego na cozinha e tá lá, tapiocas feitas, café na garrafa e ela tomando seu copão de vitamina - minha avó.

-Vó, desde quando tu sabe fazer tapioca?
-Aprendi com você!

Eu vivo pra ouvir essas coisas.

-Eu ficava olhando você fazer, aí fiz. Tá boazinha, não faz vergonha fazer pra ninguém não.

Ter vó em casa não é sempre bom não. Às vezes falta a paciência: é uma história que ela já contou mil vezes e sempre conta de novo, é uma mania de querer saber tudo, ter que ficar perguntando se ela escovou os dentes, olhar quando ela vai acender o fogão (uma vez o gás passou a manhã inteira aberto; se a gente risca um fósforo?)...

Mas, essa do "APRENDI COM VOCÊ", de manhã cedinho, como é que eu aguento, hein, vó?

Fast food

- Jayane, como é que eu falo essa palavra? - vovó, com um jornal me apontando umas palavras em itálico.
- Ah, é fast food, vó! É inglês, significa "comida rápida".
- Aaaah, agora tá explicado. Você sabia que os japoneses criaram essa comida no pós-guerra, por que, com o país em reconstrução, não tinham muito tempo?
- Não vó, não sabia...
- Pois é, esses macarrões instantâneos que você come. Deus me livre, isso não presta pra nada!

domingo, 13 de novembro de 2011

15 - Saudades

Algum bicho imenso comeu minha criativa-idade. Eu tô que só penso besteira e só tenho sono. E fome. Não tenho paciência para filmes, nem para músicas. Só o que me anima são meus livros e uma pessoa.

Esse bicho passou correndo, a engoliu e se foi... Talvez ele volte e a devolva, toda mastigada, suja, corroída. fedorenta. Minha criativa-idade. Minhas criações que eu podia assinar: Aya Ribeiro. Tudo que sai são espirros! Eu gosto de espirros, mas gostava mais dos gritos da Aya. Volta, menina...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LX

(Fernando Botero)


O casal obeso
Ocupava todo o banco da praça
Com seus beijos

Beijos acima do peso
Suculentos, gordurosos
Inchados dos olhos gordos
Das pessoas passantes
(Que só comiam salgados, tortas, refrigerantes)
Para os cheinhos da comida malina
Em que cada mordida
Deixa com mais fome que antes

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

14 - Rodízios de pizza me emocionam

Alguns gostos nunca mais voltaram:

Sorvete do Moreira - o que eu não daria por um sorvete do Moreira?

Caldo de arroz escaldado

Queijo do Raimundinho com pedrinhas

Doce de banana do vovô Abílio - ele só vazia quando coincidia de as bananas estarem quase podres e ele estar bêbado

Cabeças de piaba que sobram na frigideira - gente que tinha frescura e não comia a bichinha inteira

Coquinho de dentro da castanhola aberto com torque do vovô Abílio - uma tarde inteira pra tirar meia "xicrinha"

A primeira vez que comi banana-maçã

Miojo cru do Tiririca e da Mônica - até hoje chamo Miojo de  "macarrão da Mônica"

Pastel de 30 centavos que vendia na frente da escola - ter 1 real era ser rico na época

Pudim da dona Maria do catecismo

Sopa de letrinha da merenda escolar pública - como era gostoso, como era perfeito, como era mágico!

Pastel da esquina do Sacolão das Frutas

Manjar branco que veio na cesta de natal que ganhamos num sorteio da farmácia

Sanduíche do tio Fernando - ainda existe, mas é tão fácil agora... era bom quando eu tinha que aperrear a semana inteira!

Bife mergulhado em gordura da vó Margot - ela não faz mais, por causa do colesterol

Pizza em Limoeiro - nos meus 17 anos em Limoeiro, devo ter comido pizza uma única vez, lembrada até hoje pela nossa família; comer pizza é um tabu na minha casa: "Não, seu pai não tá em casa, a gente não pode comer pizza sem ele!"

Batom Garoto - ainda tem... Só que tem demais. Não é mais raro e valioso como naquela época, trazido da rua pela minha mãe só uma vez por mês e olhe lá... Comido len-ta-men-te e disputando com a Janice pra ver quem terminava por último e fazia inveja à outra... Janice sempre ganhava.

Pão de coco do balaio do padeiro que passava em frente lá de casa, de bicicleta - tinha que ficar "pastorando o padeiro". "Jayane, vai pastorar o padeiro!" Quem nunca pastorou um padeiro não sabe a verdadeira delícia de comer pão.

Minha língua é refinada nessas coisas. Me lembro agora como minha vida foi sempre assim, besta, tudo muito complicado, muito caro. Rodízios de pizza me emocionam, entenda.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

13

Os livros, minha maior companhia, desde sempre. Na maioria das vezes, a melhor também. 


Os Meus Livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.



(Jorge Luís Borges)

LVIII

Ele me chamou de egoísta. Doeu tanto...
Não eu ser egoísta, mas ele notar isso
É, eu sou egoísta mesmo.

Chamar de egocêntrica seria redundante
De egoísta ninguém nunca tinha chamado

Poxa, não era pra ninguém saber!
(Nem eu)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

12

Longe do lugar conhecido, o sermos cada um apenas um e estarmos sós e - mais - isolados, isso tudo fica óbvio. E é tão boa essa sensação.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

11





Indo embora!
Não tão longe quanto eu queria
Nem tão só quanto eu queria
Nem tão acompanhada quanto eu queria
Mas indo embora, saindo do lugar
É sempre bom deixar tudo pra trás
Liberdade maior não há

(And you, baby, wait for me!)