sexta-feira, 11 de novembro de 2011

LX

(Fernando Botero)


O casal obeso
Ocupava todo o banco da praça
Com seus beijos

Beijos acima do peso
Suculentos, gordurosos
Inchados dos olhos gordos
Das pessoas passantes
(Que só comiam salgados, tortas, refrigerantes)
Para os cheinhos da comida malina
Em que cada mordida
Deixa com mais fome que antes

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

14 - Rodízios de pizza me emocionam

Alguns gostos nunca mais voltaram:

Sorvete do Moreira - o que eu não daria por um sorvete do Moreira?

Caldo de arroz escaldado

Queijo do Raimundinho com pedrinhas

Doce de banana do vovô Abílio - ele só vazia quando coincidia de as bananas estarem quase podres e ele estar bêbado

Cabeças de piaba que sobram na frigideira - gente que tinha frescura e não comia a bichinha inteira

Coquinho de dentro da castanhola aberto com torque do vovô Abílio - uma tarde inteira pra tirar meia "xicrinha"

A primeira vez que comi banana-maçã

Miojo cru do Tiririca e da Mônica - até hoje chamo Miojo de  "macarrão da Mônica"

Pastel de 30 centavos que vendia na frente da escola - ter 1 real era ser rico na época

Pudim da dona Maria do catecismo

Sopa de letrinha da merenda escolar pública - como era gostoso, como era perfeito, como era mágico!

Pastel da esquina do Sacolão das Frutas

Manjar branco que veio na cesta de natal que ganhamos num sorteio da farmácia

Sanduíche do tio Fernando - ainda existe, mas é tão fácil agora... era bom quando eu tinha que aperrear a semana inteira!

Bife mergulhado em gordura da vó Margot - ela não faz mais, por causa do colesterol

Pizza em Limoeiro - nos meus 17 anos em Limoeiro, devo ter comido pizza uma única vez, lembrada até hoje pela nossa família; comer pizza é um tabu na minha casa: "Não, seu pai não tá em casa, a gente não pode comer pizza sem ele!"

Batom Garoto - ainda tem... Só que tem demais. Não é mais raro e valioso como naquela época, trazido da rua pela minha mãe só uma vez por mês e olhe lá... Comido len-ta-men-te e disputando com a Janice pra ver quem terminava por último e fazia inveja à outra... Janice sempre ganhava.

Pão de coco do balaio do padeiro que passava em frente lá de casa, de bicicleta - tinha que ficar "pastorando o padeiro". "Jayane, vai pastorar o padeiro!" Quem nunca pastorou um padeiro não sabe a verdadeira delícia de comer pão.

Minha língua é refinada nessas coisas. Me lembro agora como minha vida foi sempre assim, besta, tudo muito complicado, muito caro. Rodízios de pizza me emocionam, entenda.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

13

Os livros, minha maior companhia, desde sempre. Na maioria das vezes, a melhor também. 


Os Meus Livros
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.



(Jorge Luís Borges)

LVIII

Ele me chamou de egoísta. Doeu tanto...
Não eu ser egoísta, mas ele notar isso
É, eu sou egoísta mesmo.

Chamar de egocêntrica seria redundante
De egoísta ninguém nunca tinha chamado

Poxa, não era pra ninguém saber!
(Nem eu)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

12

Longe do lugar conhecido, o sermos cada um apenas um e estarmos sós e - mais - isolados, isso tudo fica óbvio. E é tão boa essa sensação.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

11





Indo embora!
Não tão longe quanto eu queria
Nem tão só quanto eu queria
Nem tão acompanhada quanto eu queria
Mas indo embora, saindo do lugar
É sempre bom deixar tudo pra trás
Liberdade maior não há

(And you, baby, wait for me!)