sábado, 7 de janeiro de 2012

Gaya me protegerá do fim do mundo

Me sinto uma personagem.
Me sinto minha personagem preferida de alguma série, livro, alguma coisa que eu mesmo faço.
Me sinto um escritor cujos livros eu leio.
Me sinto observador de um museu cujo artista sou eu.
Me sinto na minha estante, entre o Hans e o Dante
Me sinto uma flor na roseira que o eu mesmo plantou.
E se eu for aquele pássaro na janela e, de repente, sair voando?
Talvez eu esteja só sublimando
Talvez eu esteja alucinando
Tem um monte de bichinhos andando pelo meu quarto: Gaya, a terra de Aya.
Fiz meu próprio zoológico
Uma reprodução do meu habitat natural
Onde eu me sinto legal
Até sem tomar nada
Que eu tenho é pena de colocar os livros da minha cabeça no papel
Eu deixo meus bichinhos, os ayanos, todos soltinhos
Soltinhos pra beber meu uísque:
Que tá acabando e só podem ser eles - eu nunca bebo!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

"Você fica tão bonita de roupa!"
Disse a mãe da menina (de 19 anos) que sempre fica só de calcinha em casa.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O grande livro da minha infância


Da bibliotequinha do Hospital Albert Sabin. 
Lembro-me de acordar no meio da noite e pedir pra minha mãe ir buscar esse livro. E eu passando as páginas com minha mãozinha furada de soro. Eu queria fazer biscoitos de quebrar queixo de criança. Colocar uma ferradura de 7 furos na porta dá uma sorte danada. Como eu amo as bruxas... 
Ah, suíte-rorte com frigobar, interessante e equilibrada ao mesmo tempo? É pedir demais ao papai do créu.
Tem tanta coisa na minha cabeça que eu me sinto capaz de dormir, acordar e escrever um livro.
Viver é perigoso...

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Não quero terminar este poema

As dobras dos meus joelhos estão em carne viva
E pedaços da carne estão nas minha unhas
Porque eu tinha que me ferir

O mundo está todo em cacos
Meu mundo está todo em pó dos cacos do mundo
Que eles usam pra fazer café e tomar ao som de um qualquer da bossa-nova

As palavras são letras
E letras tem natureza
Que muda com a paisagem

Mas agora eu
Se o meu amor fosse uma torneira
Eu deixaria pingar
Até encher a pia
E a paciência de alguém

E se alguém gritasse
“fecha essa droga”
eu diria, pacientemente,
“meu amor, isso foi a gota d’água”.


(Lulina, tirando as palavras da minha gota.)