quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Burrice

Eu tenho saudade é do seu cabelo
De boca, de mãos, nem sei se suas
Não te imagino falante e inteligente
Te quero calado e burro
Não me sinto culpada
E não tenho medo de pau murcho
Porque se não dá certo a gente sempre ri
E se dá certo, também

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

"Deixei meu corpo querer Diadorim; minha alma? Eu tinha recordação do cheiro dele. Mesmo no escuro, assim, eu tinha aquele fino das feições, que eu não podia divulgar, mas lembrava, referido, na fantasia da ideia. Diadorim - mesmo o bravo guerreiro - ele era para tanto carinho: minha repentina vontade era beijar aquele perfume no pescoço: a lá, aonde se acabava e remansava a dureza do queixo, do rosto... Beleza - o que é? E o senhor me jure! Beleza, o formato do rosto de um: e que para outro pode ser decreto, é, para destino destinar... E eu tinha de gostar tramadamente assim, de Diadorim, e calar qualquer palavra. Ele fosse uma mulher, e à-alta e desprezadora que sendo, eu me encorajava: no dizer paixão e no fazer - pegava, diminuía: ela no meio dos meus braços! Mas, dois guerreiros, como é, como iam poder se gostar, mesmo em singela conversação - por detrás de tantos brios e armas? Mais em antes se matar, em luta, um o outro. E tudo impossível."

(João Guimarães Rosa. Grande Sertão: Veredas. 592-593)

sábado, 21 de janeiro de 2012

A ideia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites más.
(Friedrich Nietzsche)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Papai não tem dinheiro pra me pagar a Rose
Papai não tem dinheiro pra me pagar o Rosa
(Mas eu economizo do almoço e compro o Rosa mesmo assim)
Papai...
Você só trabalha e eu só gasto
E você ainda se orgulha de mim
Se orgulha de quê?
De eu dar um jeito de brigar com todas as pessoas?
Ou só de eu dar um jeito de brigar com você?
Você devia me dar uma surra
Uma grande surra
Que era isso que eu merecia
Só por ter nascido eu
Surras todos os dias
Trabalho pesado todos os dias
Pra eu não pensar nunca mais
Nunca mais
Nunca mais
Nunca mais

EU NÃO SOU DE LUTA

Camilla, concordo com você. Mesmo, mesmo, mesmo.
Você deve estar muito cansada.
Lutar, lutar, lutar e ver que não existem pessoas dispostas a fazer o mesmo que você fez todos esses anos para continuar o seu lutar, lutar, lutar... deve ser o mais cansativo (ou irritante).

Pois é. Não vou colocar aqui a desculpa de que não fui porque acordei tarde (de fato, acordei já 10 horas), porque quando eu quero sair pra namorar, eu coloco o despertador e chego no lugar beeeem cedinho. Não coloquei isso de namorar à toa. É que pra sair pra namorar eu tenho VONTADE. Pra ir participar da maioria das 'coisas' do C.A. eu não tenho. Então fica fácil arranjar desculpinhas ou me fazer de vítima, como eu já me fiz muitas vezes.

Camilla, Max e todas essas pessoas que tem vontade e ânimo de ir à luta diariamente... PARABÉNS, eu admiro vocês, mas eu não sou assim. Às vezes eu quero, às vezes não. Às vezes eu só quero ficar em casa com meus livros. 

Aí vocês dizem: "NÓS TAMBÉM, JAYANE! Mas nós não fazemos isso porque acreditamos em algo e blablabla".
Pois é exatamente nisso que eu não consigo acreditar. Eu não tenho certeza de nada que eu faço.
Eu não consigo fazer as coisas apenas pelo interesse comum, sem colocar o meu próprio interesse no saco. E não acho que isso seja sujo, feio ou ruim. Acho que NINGUÉM FAZ AS COISAS SÓ PELO INTERESSE COMUM.
Eu consigo ver as absurdidades do nosso mundo, claro que vejo. Mas eu quero viver, caramba! 

Tudo que eu quero é sentir que estou viva! E o meu "se sentir viva" nem é nada demais... Na maioria das vezes é só ler e escrever meus livrinhos. 

Sobre os calouros, não quero discutir nada com eles AGORA, porque eles simplesmente não estão nem aí e não acho que eles estão de parabéns nem que mereçam passar por (mais) 6 anos alienantes naquela faculdade. Tenho é pena dos bichinhos, todos animados com a universidade. E não é só porque é medicina. Qualquer curso é um caos. 

Ah, mas o papel do Centro Acadêmico... Pois é, a gente luta pelo que mesmo? São um milhão de problemas a serem resolvidos, um milhão de pessoas com quem a gente tem que brigar e passagens em sala que ninguém escuta, nem dá atenção e manifestações que chegam a ser risíveis aos dirigentes e ... ... ... ... ... ... 

E não é que eu esteja desistindo. Não é mesmo. Porque meu ânimo se reacende por qualquer coisinha. Mas até essa coisinha não existe.

Eu não quero deixar minha cama e meu Rosa num dia nublado para passar tinta na cara de gente. Eu fiz isso ano passado, mas só fiz porque tinha interesse sexual por uma das pessoas que iam estar lá. (Ah, e se você riu disso é porque tem também)

("Ah, mas eu fui, porque eu acredito nos calouros e blablabla." Parabéns pela sua fé, então.)

Aliás, grande parte da minha presença em atividades do C.A. foi motivada por interesse sexual, afetivo ou intelectual. Porque eu sou muito carente (outra coisa que eu não acho errada, nem feia, nem tenho vergonha). E o C.A. era o único lugar onde eu me encontrava na faculdade.
ERA.
Porque eu já não sei se me encontro mais.
Aliás, eu vou pro COBREM e aquilo no que mais penso é que vou reencontrar um amigo lá. Vou pro COBREM mais por uns abraços de alguém que eu gosto e algumas horas de conversa do que por discussões propriamente ditas. Porque eu já percebi que elas ou são repetidas, ou vão ser esquecidas em breve. 

(Nossa, que belo exemplo pros mais novos, que belo incentivo à tão falada transitoriedade!)

Meu desejo de mudança existe.
Mas não resiste.
Não resiste ao meu desejo de vida.
(Por mais carcomida que seja)
Não resiste a tanto tempo.

Eu troco qualquer discussão importantíssima sobre política por um minutinho que seja com uma pessoa que eu goste. 

Política não dá prazer ao meu corpo. Não me toca, não me alimenta. Não me seduz.
Pelo menos não agora. Eu não sei como vai ser amanhã ou depois.

E não, a faculdade de medicina também não me seduz, na maioria das vezes. E no entanto eu continuo indo, né? Olha, que contradição! Olha que contradição a falta de opção.

É assim que eu me sinto. E eu tenho certeza que não sou a única.
E achei melhor responder logo, assim que li, porque sei que não responderia se deixasse o tempo passar.
E, se respondesse, acabaria enchendo o texto de hipocrisias. E eu já estou cansada de todas elas.
Eu já quis dizer isso muitas vezes, mas sempre acabava pensando: seria praticamente uma carta de saída do C.A. Mas, enfim, eu já escrevi isso tudo, foda-se, e só falta clicar em ENVIAR. 

"Personne ne prend au sérieux à 19 ans."

Ah, e eu não vou mandar um ABRAÇÃO OU UM XERÃO BEM GRANDE pra ninguém. Porque eu não acho isso real, tantos abraços e tantos beijos quando na verdade tá todo mundo cortando uns aos outros ou se escondendo pra não falar o que realmente pensa. 




(Pronto, agora só falta colocar isso como resposta ao e-mail-bombardeio da Camilla.)

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sempre faltou alguma coisa pra eu entender essa imagem. Agora ela parece tão clara...

domingo, 15 de janeiro de 2012



Eu percebi que eu te queria quando tu foste até a varanda e eu quis ir atrás de ti. E te beijar. E eu só tinha conversado contigo, a sós, por alguns minutos. Na minha vida.

Eu fiquei desejando isso - isso de te beijar na varanda - por três minutos e vinte e sete segundos. Era uma da Billie Holiday e eu não fiquei desejando isso por esse tempo aí. Eu ainda desejo, agora. Três minutos e vinte e sete segundos foi só o tempo no qual eu fiquei pesando o tempo. Três minutos e vinte e sete segundos segurando o tempo por argolas nos bicos dos seios e acompanhando a linha sanguínea vermelha, que fazia a contagem regressiva para mim.






Pareces tão suja...